Terça-feira, Janeiro 05, 2010

Há pequenas amostras de filmes e depois há o Ganhar a Vida

Então isto é assim: no cinema, como na vida, os melhores filmes são feitos pelas pessoas que mais intensamente vivem. Talvez seja por isso que Ganhar a Vida é um filme assim que é uma coisa por demais. Depois de vez em quando, alguém se lembra de espalhar um boato e dizer que o Entre os Dedos ou o Morrer como um Homem são filmes bons e só me apetece rir na cara de quem diz isso, seja quem for. Porque, mas só porque, são filmes completamente banais, repletos de banalidades mas armados ao pingarelho.

Quem for minimamente sincero consigo mesmo, poderá abertamente dizer isto. Realizadores que descobrem os filtros e conseguem introduzir a meio de um filme uma cena completamente parada, tingida de vermelho, cheia de gente que actua muito mal até parada, não podem nunca ser considerados bons. Mesmo se tentarmos atingir ali alguma ideia, algum nervo, que não existe. Não existe intenção, não existe fogo, não existe inspiração. Porquê? O realizador não faz filmes com as entranhas.

O preciso oposto reside no Ganhar a Vida (e, certamente, nos Sapatos Pretos e restantes filmes de João Canijo, mas sobre isso não posso falar porque não vi). Ali, cumpre-se o luto a comer pastéis de bacalhau, dançar-se Romana, conhece-se a comunidade portuguesa na França como ela é. Isso consegue-se de uma única maneira: perfeita integração do realizador no tema e, mais, na vida como ela é. E, meus amigos, isso não está ao alcance de todos porque é preciso ser-se MUITO BOM.

Ali, todos os actores são de uma honestidade que assusta, todos, todos. A Rita Blanco está merecedora de um Óscar, a fotografia é um assombro. Ganhar que vida? A que se perdeu? Uma nova, que está para vir? O fim em aberto deixa-nos divagar e sangramos do nariz e choramos e perdemo-nos com a Cidália. E quando ali se diz caralho e foda-se diz-se com a linguagem da rua mesmo, caraças. Passa-se na França mas podia passar-se em qualquer lado do mundo, ao fim e ao cabo, porque aquela dor é universal, todos os sentimentos que perpassam por aquelas personagens são universais. No fim, existe uma barreira entre dois mundos, entre duas vidas, a que resta e a que vai. Quando a Cidália ganhar bem a vida, já não existe Cidália tal como a conhecemos inicialmente.

Foda-se, Ganhar a Vida é um filme do caralho! MESMO!

Segunda-feira, Janeiro 04, 2010

Lhasa de Sela (1972-2010)


Não consigo ultrapassar o facto de que a Lhasa morreu.... estou profundamente triste, desapareceu uma das mais maravilhosas cantoras que este mundo já conheceu. A puta da vida é injusta. Não costumo sentir estas coisas por pessoas que nunca conheci mas este choque é imenso. Para mim, não morreste e não morres nunca.

Entrei numa espiral, tão depressa não saio de lá.

Sábado, Janeiro 02, 2010

Hey, it's almost morning and yet still night

Tenho coisas na cabeça. Entrou um novo ano mas para mim representa o mesmo que todos os outros: a fronteira de um calendário artificial. Os meus anos novos acontecem quando me apetece e celebro-os mais do que a estes. É 2010? Ainda bem, vou entrar por ele adentro como uma ave rara numa armadilha de caçador, tal como planeio fazer com outras tantas coisas.

Quarta-feira, Dezembro 30, 2009

Nudez, corpos e alma

Estava ali a ver um clip da Lady Gaga e a pensar que a senhora não tem mesmo mais nada a não ser o estilo inconfundível, o que já não é mau de todo. E depois veio-me à ideia que, hoje em dia, toda a gente se despe e toda a gente é perfeita e mostra tudo gratuitamente - do mesmo modo que ela, no Bad Romance, diz que quer tudo o que seja gratuito, como o amor e a vingança (awwww, how nice!).

No meio disso, surgiu-me o clip da Björk, o Pagan Poetry, que penso seja o único em que ela aparece mesmo nua. A diferença é que o nu dela é feito com a intenção de se dar completamente despida mas de tudo, não só de roupa. E duvido que muita gente apareça nua num clip para se auto-mutilar, também em nome do amor, tão grátis como o da Lady Gaga. Quando Björk se despe em Pagan Poetry, está a dar a alma, o corpo, de uma forma tão depurada e intensa que qualquer Rihanna, Lady Gaga ou Beyoncé parecem nada mais do que aquilo que são: corpos.



Segunda-feira, Dezembro 28, 2009

Plain old me. Am I?

Sinto que nunca mais tive ideias de jeito, há uma carrada de tempo. Perdi-me, algures entre uma curva apertada e outra mal dada. Rio-me desta frase com a cabeça cheia de lixo, comme d' habitude. Já andam aí as listas intermináveis de livros e filmes e discos e e e e e... nunca conseguiria fazer uma lista, a minha cabeça é demasiado random. Mas, pronto, cada um é como cada qual.

A falta de inspiração para aqui escrever nunca me fez, apesar de tudo, querer apagar tudo o que está para trás. Às vezes, dou uma voltinha pelas coisas antigas para ver o que mudou e só percebo que quando me leio não me reconheço, pareço outra pessoa. Mas isso deve ter a ver com o facto de termos de levar connosco mesmos todos os dias, pimbas, pimbas, pimbas, 24 sobre 24 horas, sem se poder ter umas férias ou uma pausazinha.
Acho que já me fazia bem encostar a cabeça na almofada, hibernar um bocado. E é já.

Boas Festas entre o Natal já passado e o Ano Novo que aí vem lol

Como não sou, de todo, adepta das festas, deixo aqui, mais uma vez, o postalinho feito pela equipa da Björk, à semelhança do que já tinha feito no ano passado. Esta rapariga continua a ser uma perdição para mim, apesar de já terem passado quase 15 anos.


Domingo, Dezembro 27, 2009

O deserto... português

Estava a ler um pequeno artigo que veio no Expresso sobre, ao fim e ao cabo, a mobilidade entre os concelhos da Margem Sul do Tejo. Ora, eles falam precisamente no facto de ser mais fácil chegar a Almada indo por Lisboa e é realmente assim. Nunca percebi muito bem esta falta de ligação por terra entre os concelhos vizinhos mas certo é que para ir a Almada sempre preferi apanhar o barco para Lisboa e depois o cacilheiro, manifestamente mais rápido e barato. Seria bom se houvesse comboios. Seria muito bom que se apostasse no transporte ferroviário mas por cá aposta-se mais em fazer autoestradas, sempre dá mais dinheiro a uns quantos tipos que lucram com as concessões. Para quando autoestradas livres? Para quando um país com bons comboios, que cheguem realmente a todo o lado? Para quando o contacto com a Europa, rápido e eficaz, sem necessariamente passar pelo TGV? Para quando um interior desenvolvido por alguém que tenha genuino interesse nele? As linhas de comboio não se fazem porque não são lucrativas, acabam-se com elas por esse motivo. E as pessoas, onde é que ficam as necessidades delas? Acho que já era tempo de uma mudança, porque os entraves ao desenvolvimento do país são por demais evidentes.

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

Cuba do Alentejo

Os pobres dos americanos ficam ofendidos quando a Lady Gaga troca os nomes das cidades onde actua. Haviam de vir para cá e verem os senhores artistas confundirem-nos com a Espanha. É que sempre é um país.